Friday, June 30, 2006

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Sunday, June 11, 2006

Explícito

Toco com minhas mãos a face úmida de minha solidão. Não é assim tão feia. É sempre sincera. Não vacila: simplesmente é. Portas sempre abertas para o inverno, seu lúcido amante de vestes chuvosas.
Minha solidão não permite que eu beije seus lábios com os meus. É a mais casta de todas as putas.
Retiro suas vestes lentamente e contemplo seu corpo, enquanto minha solidão, entre lágrimas, acaricia o sexo de seu sino e sussurra que tudo está bem, trocando meu nome por outro que o vento já carregou - estou acostumado. E como a amo.

Friday, June 09, 2006

Espelhos espirituais em rede

Sábado, Março 25, 2006
Admoestações Abstrusas de um Anacoreta em Potencial LXXX Eu no meu estado usual: aquela mistura de enjôo, tontura, sono e fraqueza. Me acomodo em um dos bancos do mais novo point dos desajustados da cidade. Peço o corriqueiro pão com ovo estalado enquanto observo uma senhora contando moedas para facilitar o seu troco. Nesse instante Yneida, a lavadora de copos, me presenteia com um sorriso de bom dia. Já vi mais dentes em uma boca de mulher, mas confesso que esta de algum modo impregnava inteiramente minha retina e se dirigia diretamente à parte do cérebro responsável pelos desejos libidinosos. Cheio de coragem naquela manhã, em que pela primeira vez em muitos anos minha gengiva não sangrara ao escovar meus dentes, caminhei até a pia onde Yneida acabara de ensaboar um prato raso com restos de carne assada recheada com linguiça. Em minha habitual falta de talento nessa área pronunciei algo gaguejado que nem eu pude compreender direito. Ela tentou reconstruir em sua cabeça o que eu poderia ter dito, mas após alguns segundos disse: - Perdão, o senhor falou comigo? Abalado, eu simplesmente perguntei onde ficava o banheiro e caminhei atordoado na direção contrária à apontada por seu dedo precocemente calejado. Talvez fosse a impressão de que aquelas maravilhosas mãos carregassem unhas maltratadas com restos escassos de esmalte vermelho e um comprido fio de couve mineira, herdado da refeição de algum vagabundo que almoçara mais cedo aquele dia. O estômago me embrulhara ainda mais. Uma vertigem me levou novamente para sua pia e eu a olhei nos olhos. Ela desviou e então eu lhe perguntei: -Porque desvias o olhar ao falar comigo? Ela sabidamente respondeu que não estava falando comigo. Eu em tempo lhe retornei que agora o fazia e ainda sim mantinha o olhar voltado para o chão. Eu a descreveria aqui de maneira indefectível, mas ou por ciúmes ou por não querer sustentar clichès e regras desse tipo de narrativa eu apenas revelo que era graciosa aos meus olhos. O fato de obedecer aos gritos e ordens de um homem ordinário, engordurado e com suor de gotas permanente no buço me fascinava. O fato de limpar os restos de comida que alimentaram homens sem almas, lipemaniacos e oligofrênicos a enobrecia ainda mais.Quem postô? Bakunin 3:02 PM
Gentilmente catado de Bakunin.

Wednesday, June 07, 2006

volta

vvvvvolta volta volta
vvvolta volta
olta volta
a volta
lta volta
vvvvolta volta
vvvvvvolta volta volta

saudades

Perdicanarquist